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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Rui Júnior & oÓquesomtem? no iTunes Store


O álbum Ó Tambor de Rui Júnior e oÓquesomtem? é agora também um “iTambor”. Editado originalmente em 1996 foi considerado o segundo melhor álbum português desse ano e está agora disponível na iTunes Store aqui.

Esta obra musical consagrou Rui Júnior como criador e percussionista, pai da percussão portuguesa e dono de uma linguagem única, e valeu-lhe um lugar na história da música portuguesa.

Diz-se que em Ó Tambor Rui Júnior toca com ligação directa à alma e assim o confirmam os músicos José Mário Branco e Amélia Muge que se acharam de corpo e coração neste projecto.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Primeiros Manuais Tocá Rufar


O Tocá Rufar estreia, no âmbito do Festival Portugal A Rufar 2010, uma série editorial que visa a partilha das questões artísticas e pedagógicas inerentes ao Projecto Tocá Rufar:

- Partilhar a Música: Jogo & Percurso Formal – compilação de textos que guiaram os fundadores do Tocá Rufar nos começos do projecto;

- O Método Tocá Rufar – Livro1: 1º Ciclo do Ensino Básico – de como o Tocá Rufar implementa e desenvolve oficinas nas Escolas Básicas do 1º Ciclo;

- Partituras Assim Sim e See Under X – partituras das versões originas dos dois principais temas da Orquestra Tocá Rufar.


Trata-se de um acontecimento memorável que trouxe lágrimas de emoção aos olhos de todos os que fizeram do Tocá Rufar o seu projecto de vida.

A festa de lançamento destes cadernos terá lugar no dia 15 de Maio, pelas 21h00 no TamborQFala.


Excertos:
A contingência de ensinar percussão tradicional Portuguesa germinou em 1996, no Teatro da Trindade, em Lisboa. Após um espectáculo do grupo de percussão Rui Júnior & oÓquesomtem?, apresentando o mais recente álbum Ó Tambor, João Brites e Natércia Campos procuraram Rui Júnior nos camarins e lançaram-lhe a proposta de criar um espectáculo para a Expo’98, representativo do instrumento bombo e da percussão tradicional Portuguesa.

Este projecto fazia par com outros dedicados à música Portuguesa e que abrangiam, nomeadamente, o cavaquinho, da responsabilidade de Júlio Pereira, canto a cappella por Amélia Muge, adufe por José Salgueiro, concertina pelas mãos de Artur Fernandes e sanfona por Fernando Meireles, entre outros. Estes espectáculos integravam a Programação Prioritária Nacional da Expo’98.

Rui Júnior aceitou o desafio e concebeu fundar, para o efeito, a maior orquestra de percussão tradicional Portuguesa, feita de 300 crianças e jovens. Lembrava-me que o bombo era tocado em cortejos com dezenas de homens; por muita gente ao mesmo tempo, quero dizer – conta Rui Júnior. A memória vinha-lhe da infância, nas margens do Douro, quando era o mais novo do grupo tradicional de bombos Os Mareantes do Rio Douro e seguia abrindo o desfile a tocar caixa-de-rufo.

Neste ímpeto, viu-se em mãos com a necessidade de juntar e formar 3 centenas de tocadores de bombo, caixa-de-rufo e - porque não!? - de timbalão; e decidiu ir buscá-los às escolas. A estratégia consistia em contactar as autarquias propondo dar formação gratuita de percussão tradicional portuguesa nas escolas dos respectivos municípios, a todos os alunos que conseguisse angariar. Em contrapartida, no final do projecto, cada autarquia apoiaria, com um determinado valor, a participação dos seus alunos no espectáculo final.

Rui Júnior e mais três sócios, músicos também, abandonaram as respectivas carreiras artísticas para se dedicarem em exclusivo a este empreendimento. Contactaram 48 autarquias das quais 3 abraçaram o projecto, designadamente, Lisboa, Loures e Seixal; e firmaram os primeiros passos do que é hoje o Tocá Rufar. A Guiomar, a minha falecida companheira, que era professora, dava-nos dinheiro para a gasolina e lá íamos nós dar aulas às escolas. Juntámos cerca de 800 alunos que ensinávamos com a ajuda de um só bombo, uma caixa-de-rufo e um timbalão – lembra Rui Júnior.

O sonho de Rui Júnior passou a ser, então, também o desejo daqueles que se foram juntando e empenhando nele a sua dedicação e, nalguns casos, os seus projectos de vida. A 21 de Julho de 1998, a maior orquestra de percussão tradicional Portuguesa subiu, fruto de um trabalho de muita convicção, entrega e teimosia junto das escolas, ao palco da Praça Sony, juntando 300 tocadores e respectivos instrumentos. Nessa noite cumpriu-se o objectivo primeiro que se tornou, afinal, no princípio do Projecto Tocá Rufar.


- O Método Tocá Rufar – Livro 1: 1º Ciclo do Ensino Básico

No Tocá Rufar o meio de ensino da música de percussão reflecte o percurso de atrevimento, invenção e pesquisa de um conjunto de músicos profissionais movidos por uma grande vontade de partilha de conhecimentos e valores. Contudo, no início, nenhum deles possuía formação ou experiência de âmbito pedagógico.

Assim, a instrução principiou sendo assaz intuitiva, bebendo directamente na experiência de vida destes músicos e nas primeiras relações que foram estabelecendo com os formandos e os contextos onde intervinham. Esta contingência marcou decisivamente o que é hoje o ensino da música no Tocá Rufar, enquanto atitude e processo, quer ao nível da formação artística quer da formação de indivíduos.
O Tocá Rufar gostaria, contudo, de agradecer a todos os implicados no pensamento e na redacção destes textos, e dizer-lhes o quão importantes foram na construção da cultura organizacional e no método de ensino próprios deste projecto de percussão.

Obrigado!
- Partilhar a Música: Jogo & Percurso Formal