
Da desventura, surge um festival feito de solidariedade sustentável.
A 1 de Março de 2011, pelas 15h, ardeu o TamborQFala, sede do Tocá Rufar, deixando o projecto sem os recursos necessários para dar continuidade ao trabalho educativo, artístico e cultural que o sustentam. Passados 3 meses o Tocá Rufar, dispondo de recursos mínimos, põe de pé a 7º Edição do Portugal A Rufar, engendrando um evento sustentável fundado na solidariedade de tocadores de bombos, da comunidade e comércio local do Seixal e no apoio de diversas entidades como seja o Ministério da Cultura, a DGArtes -Direcção Geral das Artes, Câmara Municipal do Seixal, Junta de Freguesia do Seixal, entre muitas outras.
Domingo, 29 de Maio pelas 11h da manhã, na zona histórica do Seixal, a paz matinal será tomada pelo troar dos tambores, pela música, pela pujança dos bombos, pelo júbilo das gentes enfeitiçadas pela romaria e, enfim, pelo pranto de orgulho de se ter realizado o irrealizável. Assim se irá celebrar o Dia do Bombo encerrando a 7ª edição do PAR’11.
O Dia do Bombo, já tradicional no Seixal e no seio dos grupos de bombos e orquestras de percussão tradicional do nosso país corria, este ano, o risco de não se realizar por via das dificuldades que o projecto Tocá Rufar enfrenta desde o perda do seu espólio.
Contudo, a determinação e resiliência do seu fundador, Rui Júnior, impuseram a procura de novas soluções que resultaram, afinal, numa melhoria do festival. O envolvimento da comunidade e do pequeno comércio locais, a valorização do património local, a co-responsabilização dos grupos de bombos e orquestras de percussão tradicional portuguesa por uma vinda sustentável e enaltecedora dos produtos e meios regionais dos seus lugares de origem farão a diferença.
Ao invés do habitual, o comércio local estará aberto ao Domingo e os almoços dos mais de 600 tocadores serão servidos nos restaurantes da zona histórica do Seixal. O Grande Desfile do Dia do Bombo e as actuações individuais de cada grupo deixarão as grandes avenidas para percorrer bairros de pescadores e encontrar monumentos escondidos. Há quem contribua com pão, vinho, fruta e legumes que sobram de fornos e colheitas; ou cumprindo o seu ofício, voluntariamente, em dia de folga tal como os professores e auxiliares da acção educativa que acompanharão os alunos das Oficinas Tocá Rufar das escolas da Moita e do Seixal.
Exemplos destes sucedem-se na 7º edição do Portugal A Rufar fazendo do festival um exemplo uno e distinto a seguir na actualidade, pois que torna os tempos difíceis em tempos felizes. O lema do PAR’11 reza: mudam-se os bombos, mudam-se os tempos; e o festival é, efectivamente, paradigma da capacidade de se criar ou recriar os tempos.


















